Primeiras gotas batucam no asfalto, logo ela chega pra dançar na calçada, cantar no telhado e chorar na sacada, relâmpagos disparam "flashes" de fotografias e ao revelar cada foto em meio aos trovões, posso ouvir uma nova chuva que vem caindo em boas lembranças e então sentir a saudade pulsar dentro de mim: Saudade de coisas simples, saudade da infância, acordar de manhã e ouvir o bem-te-vi cantar no pé de abacate do meu quintal, tomar café da manhã e se esforçar pra não derrubar farelo de pão no chão, Saudade de brincar na rua, soltar bolha de sabão, andar de bicicleta, chutar bola de capotão, esconde-esconde, pega-pega e policia e ladrão! correr com os joelhos ralados, arrebentar chinelo Havaianas e voltar a correr descalço, pés pretos do asfalto e guerra de bexiga d'água em dia de calor... Saudade do riso das crianças e o som do carro de churros a 50 centavos passando na rua, saudade de se perder em meio a tarde e ver o sol se pondo atrás das casas, a mãe vem chamar pra jantar... Ainda tenho o aconchego da comida quentinha da mãe e o sorriso do pai ao entrar em casa... Boa saudade...
A chuva acabara de cessar, me pergunto se sentirei saudades do hoje: carregar o irmãozinho na "cacunda", brincar de "lutinha" e bagunçar parte da casa, bronca da mãe falando pra deixar as almofadas, buscar o moleque na escola e jogar vídeo game... Levar o cachorro pra passear de vez em quando e penar pra conseguir segurar, sentirei saudade de matar a saudade de velhos amigos e amigas, sentirei de descobrir novas alegrias.
Enquanto houver a chuva e os flashes de fotografia, tudo está guardado e novos álbuns de lembranças vão sendo feitos.
Enquanto houver a chuva e os flashes de fotografia, tudo está guardado e novos álbuns de lembranças vão sendo feitos.
R.F.

